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Número de roubos também aumentou no Estado em 2016

Em janeiro de 2016,  Adailton Xavier, policial da reserva de São Paulo, foi morto por ladrão em Setiba
Em janeiro de 2016, Adailton Xavier, policial da reserva de São Paulo, foi morto por ladrão em Setiba
Foto: Fernando Madeira

Ao longo dos dois últimos anos, a mancha de crimes cometidos contra o patrimônio vem ganhando contornos cada vez maiores no mapa do Espírito Santo. De acordo com os dados do Fórum Nacional de Segurança Pública, somente em relação ao número de roubos seguidos de morte – os chamados latrocínios – houve aumento de 43,2% entre 2015 e 2016.

Divulgado ontem, o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública compila informações de registros policiais e gastos do setor em todo o país. Em nível estadual, a comparação entre os anos de 2015 e de 2016 mostra que o número de latrocínios no Estado passou de 37 para 53. O crescimento acompanha a tendência nacional, já que desde 2010 o Brasil vem registrando um aumento desses crimes. Em 2016, eles alcançaram a marca dos 2.514.

A diferença é ainda mais expressiva quando os números totais de roubos registrados nesse período são colocados frente à frente: enquanto em 2015 foram 21.103 casos registrados em 2015, em 2016 foram 24.304. São 3.201 ocorrências a mais em relação ao ano anterior.

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No que diz respeito aos roubos e furtos específicos de veículos, o total de crimes chegou a 6.503 em 2016, isto é, 472 a mais do que ano anterior. Isso equivale a uma média de quase 18 roubos por dia.

CRISE ECONÔMICA

De acordo com o professor do Mestrado em Segurança Pública da UVV, Pablo Lira, assim como em todo o Brasil, o aumento das taxas de crimes contra o patrimônio é um reflexo da crise política e econômica vivida nacionalmente. Ela tem como desdobramentos o aumento do desemprego e a redução da renda média dos trabalhadores.

Quanto à situação dos latrocínios, o especialista pondera que há uma flutuação dos dados ao longo dos últimos anos. Em 2013, por exemplo, o total de roubos seguidos de morte foi de 35. Já em 2014, ele voltou a subir para 51. “Especialmente no Espírito Santo, que possui dezenas de casos, até mesmo a ação de um único grupo de criminosos pode influenciar muito no número de crimes cometidos em um ano”, explica.

Um dos casos de latrocínio registrados em 2016 aconteceu na praia de Setiba, Guarapari, quando o policial da reserva de São Paulo, Adailton Xavier Menezes, 51, foi morto por um assaltante.

PREOCUPAÇÃO

O secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, também afirma que a preocupação do governo em relação aos latrocínios aumentou nos últimos dois anos em decorrência da crise econômica.

Garcia reconhece o desafio de combater esse tipo de crime já que, diferente dos homicídios (que se concentram em determinadas regiões e horários), os roubos podem acontecer a qualquer momento tanto nas áreas periféricas, quanto nas zonas mais nobres das cidades. Trata-se de um crime de “oportunidade”, como ele mesmo define.

“Por isso, estamos mudando as nossas estratégias para aumentar a presença policial e a investigação desses casos, a fim de inibir futuras condutas delituosas”, garantiu o secretário, que também criticou a falta de ações por parte do poder Judiciário.

“Assaltos a coletivos são praticados por muitos menores e em grande parte com armas falsas. Quando não há grave ameaça, os presos são liberados rapidamente e voltam para as ruas, potencializando a sensação de insegurança”.

ANÁLISE

“Crimes estão ligados às desigualdades”

Furtos, roubos e latrocínios estão ainda mais ligados às desigualdades socioeconômicas e, em tempos de acirrada crise, tendem a crescer. Especialmente em uma sociedade injusta e desigual, como a brasileira, os conflitos tendem a ser numerosos e frequentes.

O tráfico de drogas, de seu lado, não é classificado como crime patrimonial, mas é infração inegavelmente motivada pelo lucro. Quando se tem um quadro de desemprego e desesperança, e de virtual miserabilidade para uma imensa parcela da população, é esperável que muitos indivíduos recorram a atividades informais, inclusive clandestinas e ilícitas (mais lucrativas).

A quantidade de pessoas que passam a se dedicar ao tráfico tende a aumentar, seja por uma decisão individual de buscar lucro ou como decorrência da influência e do recrutamento promovido pelos movimentos do tráfico já estabelecidos.

FONTE: GAZETA ONLINE

 Data de publicação - 31/10/2017 09:30:11



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