Acusado de matar professora em Vitória vai a júri nesta terça

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Patrick Noé dos Santos Filgueiras será julgado a partir desta terça-feira (3) pela morte de Danielly Benício, em Jardim Camburi, em 2017

O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueiras começa a ser julgado nesta terça-feira (3), acusado de matar a esposa, a professora Danielly Benício, de 36 anos, em um apartamento no bairro Jardim Camburi, em Vitória, em 2017. A sessão do Tribunal do Júri deve durar de cinco a sete dias.

Danielly foi encontrada morta dentro do apartamento em que morava com o marido em 30 de dezembro de 2027. Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o casal havia discutido após Patrick desconfiar de mensagens trocadas pela professora com outro homem.

Inicialmente, Patrick alegou que a esposa havia tirado a própria vida, porém a defesa passou a sustentar que Danielly teria sofrido uma queda após o uso de medicamentos. O Ministério Público contesta essa tese.

Inicialmente a defesa, a própria, o próprio réu falava para todo mundo que era suicídio. A defesa chegou a trabalhar com suicídio, laudos tentando provar o suicídio. E depois de um tempo ficou claro que a tese de suicídio é totalmente inaplicável e vieram agora para uma segunda tese, que é a queda da própria altura. Eles afirmam que a vítima teve um mau súbito, teria ingerido bebida alcoólica e teria tomado vários medicamentos, o que não há provas nos autos. A vítima tinha lesão no olho, lesão no nariz, lesão na boca, afundamento de face. A tese de queda da própria altura é tão surreal quanto a tese de suicídio. São duas teses completamente absurdas.Rodrigo Monteiro, promotor de Justiça.

Patrick ficou apenas dois minutos dentro do apartamento

No dia 29 de dezembro, segundo a polícia, Patrick e Danielly teriam discutido, devido ciúmes do engenheiro. Ele monitorava as conversas da esposa por meio de um aplicativo espião e acreditava que ela estava trocando mensagens com outro homem.

Após a discussão, Patrick deixou o apartamento, mas na mesma noite voltou ao local acompanhado de um parente. Depois de pegar algumas coisas, os dois saíram.

As imagens das câmeras mostraram que o suspeito entrou de novo, sozinho. A polícia afirma que ele teria levado apenas dois minutos para cometer o crime.

“Naqueles dois minutos que ele fica sozinho, foram os momentos que ele praticou essa ação violenta contra a vítima”, contou o delegado Janderson Lube, que na época era titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) e apurou o crime.

A defesa de Patrick afirmou que o réu não teria tempo suficiente de assassinar Danielly, limpar suas roupas e corpo e deixar o apartamento.

O tempo que ele ficou dentro do apartamento seria menos de dois minutos, e seria impossível ele fazer aquela situação e sair de lá sem nenhuma gota de sangue. A roupa dele também foi vistoriada e nenhuma evidência foi encontrada contra ele.Marcos Daniel Vascocelos Coutinho, advogado de defesa.

Por outro lado, a promotoria destaca que os dois minutos seriam suficientes para a ação violenta.

“A prova é clara, a Daniela foi assassinada, covardemente assassinada. O réu foi a única pessoa que teve contato com ela, ele foi a última pessoa a encontrá-la com vida e a primeira pessoa a encontrá-la sem vida. No período que ele sai do apartamento, ninguém entra. E é interessante que nas duas primeiras vezes que o réu é ouvido, ele fala que não teve contato sozinho com a vítima. Somente depois que as imagens de monitoramento do prédio são apresentadas no processo que ele muda a sua versão. Nós estamos convictos de um crime bárbaro, um feminicídio triste”, ressalta Monteiro.

Defesa afirma que vítima teria acessado celular após Patrick deixar o apartamento

O advogado de Patrick também afirma que o réu seria inocente, já que, após ele deixar o apartamento, Danielly teria utilizado o seu próprio celular.

“Ela apaga a conta de WhatsApp dela e sai de grupos. Isso é registrado dentro do aparelho de telefone celular dela. Além dos metadados que a defesa estava pedindo, que foi até o caso dos pedidos de adiamento. Nós queremos ter acesso aos metadados que não foram entregues, que demonstrariam toque de tela. Então eles deram só parte dos dados dela, mas no que concederam já é possível perceber que ela estava viva”, disse Coutinho.

A defesa também mencionou que remédios foram encontrados no lixo do apartamento e destacou que o uso das substâncias com bebida alcoólica poderiam ter gerado efeito adverso.

Coutinho ressalta que realizou um pedido de adiamento do júri sob o argumento de que a Polícia Civil não teria disponibilizado integralmente os dados extraídos dos celulares apreendidos durante a investigação. Eles também pediram nova perícia para produzir cópias forenses dos aparelhos e cartões de memória, mas a desembargadora negou o pedido.

A Justiça, porém, negou os dois pedidos para adiar o julgamento. A última decisão foi tomada na quinta-feira (29) pela desembargadora Rachel Durão Correia Lima, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

Na decisão, a magistrada afirmou que a liminar anterior garantia à defesa acesso aos elementos técnicos já existentes, sem obrigar o Estado a produzir novas perícias. A Polícia Científica informou que não criou nem armazenou imagens forenses originais durante as primeiras perícias, realizadas em 2018, pois esse procedimento não fazia parte da rotina do órgão naquele período.

A relatora também apontou a existência de laudos produzidos entre 2018 e 2023, além de pareceres e relatórios elaborados por assistentes técnicos da própria defesa. Segundo a decisão, a defesa pediu nova extração de dados em julho de 2024, teve o pedido negado em primeira instância e não recorreu na ocasião.

Mais de 20 testemunhas, entre elas peritos, devem ser ouvidas durante o júri. Patrick responde ao processo em liberdade e, caso seja condenado, o promotor afirmou que pedirá uma pena próxima de 30 anos de reclusão.

A nova legislação de feminicídio traz uma pena de até 40 anos, só que o crime foi cometido anteriormente. Nós esperamos uma pena muito próxima da máxima, que são 30 anos de reclusão. Acreditamos que sairemos com uma condenação justa. Nós estamos convictos que ao final ele possa ser condenado com a pena adequada, uma pena proporcional. Nós esperamos que ele entre nesse tribunal solto e saia desse tribunal preso.Rodrigo Monteiro, promotor de Justiça.

Relembre o crime

Danielly Benício foi encontrada morta dentro do apartamento em que morava com o marido no dia 30 de dezembro de 2017. Segundo o Ministério Público, o casal havia tido um desentendimento, motivado por ciúmes do engenheiro.

O laudo apontou que a mulher foi morta dois dias antes de ser encontrada em casa. Além disso, câmeras de segurança do prédio mostraram o marido da vítima indo ao local com um amigo. As cenas flagraram Patrick entrando no apartamento e deixando o amigo do lado de fora.

Segundo a polícia, as cenas na sequência mostram Patrick saindo do local carregando uma mochila. Os moradores do prédio disseram que o relacionamento dos dois era marcado por brigas e reconciliações.

De acordo com as investigações da polícia, na tarde do dia 29 de dezembro, Danielly e Patrick discutiram. Ele havia desconfiado que a professora estava trocando mensagens com outro homem. Por meio de um aplicativo espião, ele monitorava as conversas da esposa pelo celular e por isso houve uma discussão.

Após a discussão, Patrick deixou o apartamento, mas na mesma noite voltou ao local acompanhado de um parente. Depois de pegar algumas coisas, os dois saíram.

As imagens das câmeras mostraram que o suspeito entrou de novo, sozinho. Dois minutos foram suficientes para cometer o crime, segundo a polícia informou ao longo da investigação.

nicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas as investigações levaram a polícia a decretar a prisão do marido da vítima em janeiro de 2018 e a Justiça aceitar a denúncia em março do mesmo ano.

Fonte: Folha Vitória

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